"Mommy Burnout" A Síndrome do Esgotamento Materno

 

Hoje na coluna "Papo com a Psicóloga", a Ana Paula Moreira está falando sobre a Síndrome de Burnout, caracterizada pelo esgotamento profissional. E aqui chamamos a atenção para as mulheres que tem dupla jornada de trabalho (casa x trabalho fora), e também para as mães que atuam em período integral.

Entenda o que é a Síndrome de Burnout e o que fazer para prevení-la.

 

Síndrome de Burnout - O Esgotamento Profissional também acontece com a mamães

Por: Dra. Ana Paula Moreira - CRP 06/105482

 

A Síndrome de Burnout ou síndrome do esgotamento profissional é considerada um transtorno mental e do comportamento. É caracterizada como uma sensação de estar “acabado”. As pesquisas apontam que o termo Burnout foi usado por Freudenberger (1974) para definir um sentimento de fracasso e exaustão causado pelo intenso desgaste de energia, força ou recursos de alguns profissionais.

 

É considerada pelo Ministério da Saúde uma psicopatologia e inserida no grupo de doenças relacionadas ao trabalho. Ela é uma resposta à vivência de estresse crônico do indivíduo com o trabalho causado por vários fatores, tanto organizacionais como individuais, que resultam em sintomas físicos, psíquicos e comportamentais. De acordo com os pesquisadores deste tema, os sintomas físicos abrangem a sensação de fadiga constante e progressiva, distúrbios do sono, dores musculares e gastrointestinais, imunodeficiência, transtornos cardiovasculares, distúrbios do sistema respiratório, disfunções sexuais e alterações musculares nas mulheres.

 

Os sintomas psíquicos são: falta de atenção, alterações de memória, falta de concentração, sentimento de solidão, de insuficiência, impaciência, desânimo e desconfiança.

 

Já os sintomas comportamentais se manifestam pela falta ou excesso de irritabilidade, agressividade, incapacidade para relaxar, dificuldade de aceitação de mudanças, perda de iniciativa e aumento de consumo de substâncias como, por exemplo, o tabaco e o álcool.

 

Existe sintomas chamados defensivos, que podem ser vistos com a tendência ao isolamento, sentimento de onipotência (tendência do indivíduo em acreditar que só ele é capaz de resolver problemas em seu trabalho, possuem dificuldade de confiar e delegar tarefas) e perda do interesse pelo trabalho ou pelo lazer. Os estudos mostram que pessoas que trabalham muito, que ultrapassam seus limites em busca de uma excelência e que procuram responder às necessidades dos outros sem considerar suas próprias necessidades, apresentam maiores chances de desenvolver a Síndrome de Burnout. Assim como os profissionais que estão em contato direto com o sofrimento Humano.

 

Um artigo publicado pela revista Cláudia na coluna Saúde revelou a análise de um estudo realizado sobre diferença de gênero, indicando que as mulheres são as mais acometidas por essa síndrome. Diante desse dado, ressalto a importância de abordar esse tema com vocês pelo fato da dupla jornada que muitas levam, que pode gerar tamanho desgaste ao ponto de adoecer. Pensamentos como: “eu dou conta”; “se eu não fizer ninguém faz”; “eu me viro”, “mulher é multitarefas”, precisam ser repensados e acredito que abandonados. Essa “onipotência” como foi definida no corpo do texto é uma fantasia que é tomada por muitas mulheres/mães/profissionais como realidade.

 

Quero chamar a atenção para as mulheres que não estão no mercado de trabalho, mas que se dedicam inteiramente aos cuidados da criança e do lar. É uma rotina intensa, uma dedicação de vinte quatro horas por dia e sete dias na semana, que também pode levar ao esgotamento físico e emocional. Por essa razão também precisam ficar muito atentas a si mesmas. Ao perceber que a sua alegria está sendo roubada pelo cansaço, o desejo de não fazer nada, ou parecer não ter forças, a vontade de ficar sozinha, irritação fácil, são sinais importantes que apontam para um esgotamento e para busca de ajuda. Mudanças precisam acontecer, para isso é fundamental desacelerar e parar de colocar o balão de oxigênio primeiro no outro.

 

Apresento algumas orientações que podem ajudar na prevenção:

 

• Procure realizar constantemente uma avalição do estilo de vida que está levando, se está sendo leal aos seus valores, princípios, se não está se sabotando por meio de pensamentos de falsa autossuficiência e da onipotência.

 

• Esforce-se para realizar uma atividade física, muito bom lembrar que sempre conseguimos tempo para aquilo que é importante para nós.

 

• Fique muito atenta aos sinais do seu corpo, não os ignore.

 

• Crie oportunidades para momentos de lazer.Inclua na sua rotina pausas de 5 minutos para contemplar algo que seja belo para você.

 

• Livre-se da culpa negativa (como já vimos no texto sobre culpa materna) e da busca pelo perfeccionismo.

 

• Respire, cultive bons pensamentos.

 

• Peça ajuda ao esposo, aos familiares, amigos.

 

• Busque se conhecer para que suas escolhas profissionais e pessoais possam respeitar seu modo único de ser.

 

Uma vez que foi constatada a síndrome, o tratamento é por meio de medicamentos e psicoterapia. Não hesite em procurar ajuda. O cuidado com o outro passa primeiramente pelo cuidado consigo mesmo, ou seja, para cuidar é preciso se cuidar. Termino com a frase do Dr Viktor Frankl que diz: ”se não pudermos mudar uma situação, ainda resta-nos a liberdade de mudar nossa atitude frente a essa situação.”

 

Um grande beijo,

 

Até a próxima!

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Cristã, do interior de São Paulo,

mãe do Ben (2 anos) á espera da Liz

e esposa do Michel.

Administradora de empresas por formação, fotógrafa por opção e mãe em período integral por amor e vocação.

"De todas as tarefas que exerço, ser mãe em período integral é o trabalho mais difícil e o mais prazeroso desse mundo".

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